Sábado, Outubro 29, 2011

Atualizem o caderninho de endereços!

Minha casa principal agora é AQUI.
Apareçam prum café!

Domingo, Julho 31, 2011

Não é que eu tenha sumido, sabe.
Eu tenho andando por aqui, aqui, aqui e, acredite, aqui também. Aparece lá!

Quarta-feira, Fevereiro 23, 2011

Oi, Blogger, seu lindo,

...cadê meu blogroll que não aparece?

É tanto projeto ao mesmo tempo na cabeça. De todos os lados, em todas as esferas da vida. Não sei pra que lado olho, mas passo a maior parte do tempo é olhando pra dentro mesmo.

Quinta-feira, Janeiro 20, 2011

Rapidíssima e rasteira, quase furtiva

Eu devia estar dormindo porque amanhã tenho que nadar cedíssimo, mas me perdi fuçando as postagens mais recentes do blog. E só posso dizer que 2010 foi acima de tudo o ano em que me reinventei e me redescobri - na verdade foi o começo de tudo, não acabou (será que acaba?). Sim, eu sei que está hermético demais isso, né? Não se afobe não, que nada é pra já.

Sempre acho esquisito ler as coisas que escrevi, parece que não saíram de mim. E sempre me parece que aquela ali não sou eu. Lendo fiquei achando minha versão mais antiga leve, mais sorridente, quase tão positiva e esperançosa a ponto de parecer pueril.

E não teve como não pensar em uma coisa:


Retrato
(Cecília Meireles)

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Quinta-feira, Novembro 25, 2010

E então, o que a gente faz?

Larissa morreu ontem numa cidade aqui perto. Não se sabe direito por que morreu, mas o fato é que ela saiu com uma amiga, beijou um menino, voltou pra casa, apanhou da mãe, apanhou do pai, passou mal, foi pro hospital e morreu. Ainda não se sabe se ela morreu porque apanhou muito ou se morreu porque depois da surra bebeu o conteúdo de um vidro de xampu, que encontraram vazio. Ela tinha só 15 anos.

Todo dia morre gente, todo dia morrem mulheres de todas as idades. E o que a gente faz?


A gente assiste novela e acha o máximo quando a vilã toma uma surra da mocinha ou de algum outro personagem;

A gente sabe de gente que bate em esposa, namorada, filha, irmã, mãe, sobrinha, avó, e não se mete porque "é coisa de família";

A gente fica vidrado na televisão e nos filmes de roliúde e enche o saco da filha da gente que tá ficando "muito gorda" e vai ficar "feia";

A gente faz malhação do judas e rotula mulher de "biscate" quando ela desobedece a qualquer regra imposta pelas gentes de bem;

A gente acha que prostituta é lixo e acha beleza quando vê homem espancando, estuprando, diz que "é puta mesmo";

A gente assiste programa humorístico que ridiculariza e avilta a figura feminina e racha o bico de rir;

A gente faz piada e reclama que o mundo tá ficando "muito sério" porque não pode zoar nada;

A gente manda a mãe calar a boca porque ela fala besteira, mas não reclama quando ela anda na linha e faz o papel da santa devotada, e faz a mesma coisa com funcionárias em cargos "subalternos";

A gente junta com os amigos e brinca de "rodeio de gorda" com as meninas da festa, ou se não brinca pelo menos acha engraçado;

A gente explora o trabalho da empregada, regateia pra pagar menos, não registra, e reclama quando ela tem algum problema em casa ou no trânsito, perde hora, perde o dia, traz filho pequeno pro trabalho;

A gente não dá a mínima pelota pra campanhas publicitárias que sugiram violência física e psicológica contra a mulher, e imagina que bobagem, boicotar a marca, reclamar da peça de publicidade...

A gente passou o ano repassando mensagem dizendo "se chegar email dizendo que tem fotos da Dilma pelada, não abra, pode ser verdade", e assentindo, dizendo "mas é uma bruxa mesmo";

A gente tira sarro da professora feia, da velha, da gorda, da ignorante, mas quando entra professor na sala a gente fica bem pianinho;

A gente educa a filha pra ser boa moça, recatada, que "se preserva", e cria filho macho na base do "amarrem suas cabras que meu bode tá solto";

A gente faz o possível e o imposssível para regular e disciplinar o uso que as mulheres fazem do próprio corpo e da própria mente;

A gente tira sarro de quem reclama, de quem protesta, diz que é coisa de "radical", de "feminista peluda mal-amada";

A gente não entende como tudo isso aí em cima tem a ver com algum tipo de violência física e psicológica contra mulheres.



Ontem a Larissa, de 15 anos, morreu numa cidade aqui perto depois de apanhar do pai e da mãe porque beijou um rapaz. Mas todo dia mais um monte de mulheres morre no país todo e no mundo. De repente ou devagar, um pouquinho por dia.


25 de Novembro - Dia de Combate à Violência Contra as Mulheres

Quarta-feira, Novembro 03, 2010

Domingo, Outubro 03, 2010

Upgrade na tristeza de domingo

Esse nunca foi um blog muito de política (nah, mentira, não existe posicionamento sem viés ou ponto de vista, vamos admitir), hoje fica sendo, ficamos combinados assim - e se você não gostar clica ali no quadradinho vermelhinho no canto superior direito, sem mágoas, tá?

O que me deixa de olhos marejados não é a perspectiva de segundo turno numa eleição que parecia ganha de cara, ainda mais quando o principal concorrente da candidata melhor votada conta com uma campanha feita por marqueteiros de 1,99 (que, por outro lado, tinham "material" difícil de trabalhar, isso precisa ser dito). O que me botou um bolo na garganta é ver no meu Estado a continuidade de 16 anos de governo de um partido que, em todos seus representantes no cargo de governador, se esmerou na desconstrução da Segurança Pública, da Saúde e da Educação, o que me é mais caro e doloroso afirmar.

Alguém explica pra mim, por favor, que a conta não fecha: como é que a população pobre do meu Estado consegue votar pela continuidade de um governo que já provou que prefere soltar no mercado de trabalho jovens que não conseguem preencher um formulário ao fim do Ensino Médio? Como é que o cidadão pode avalizar o fato de que seus filhos vão frequentar escolas com a "casca" bonitinha (tem dinheiro pra comprar tinta? Tem sim. Mas e a manutenção, presta? Tem mapa pra usar nas aulas? Tem sim, mas eles se desfazem quando você os desenrola - eu passei por isso. Tem bola pra aula de Educação Física? Tem, mas é porcaria e dura nada) mas não vão aprender? Será que essa gente não se importa mesmo em saber que seu filho ficou sem aula porque o professor está de saco cheio ou doente ou porque simplesmente não há gente disponível porque o nível dos candidatos à docência tende a diminuir a ponto do bom profissional nem se inscrever nos concursos ou do sujeito com má formação se inscrever e não passar? É isso mesmo, vamos comprar os números, a análise quantitativa rasa, e ignorar a qualitativa que, oras, até a Folha (que tem muuitas razões pra alisar o governo, depois da venda de milhares de assinaturas destinadas às escolas, sem licitação) já gritou?

O que faz a cabeça dos paulistas? A mochilinha com os cadernos, a régua, os lápis? A escola aberta no final de semana? A merenda? A possibilidade de manter o filho fora da rua ou de casa por um ou dois períodos, com merenda à disposição? O certificado sem-vergonha que diz que o aluno possui conhecimentos "satisfatórios" para o nível cursado?

Falo da Educação porque foi minha área de atuação e pesquisa e porque sempre vai ser minha área de interesse. Podia falar sobre a gestão das universidades públicas paulistas, mas seria algo baseado na minha pouca experiência, como funcionária recém-contratada. Até agora posso só estranhar a incoerência que enxergo em gente que reclama do gestor da instituição mas não associa sua presença no cargo à predominância do partido hegemônico no Estado.

Permanecem as escolas levadas na base da "parceria"; voltam os apelos ao "voluntariado"; continuam as bibliotecas escolares ingeridas, verdadeiros depósitos de gente desqualificada, cansada, doente, e de livros; continua a política de péssima remuneração e mantêm-se as diretrizes de capacitação dos professores; fica mantida a cretina e ineficiente progressão continuada, verdadeiro tiro saído pela culatra, e pergunto-me também se voltará à baila a abordagem do "afeto" e da "educação em oração", agora que o antigo Secretário da Educação do governador eleito conseguiu passe para a Câmara dos Deputados.

A conta pra mim não fecha. Não posso entender como a população paulista pode continuar comprando esse tipo de política educacional de muita aparência e pouca substância. Estou inconsolável.*

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* Deixe seu manifesto PSDBbista nos comentários à vontade, será ignorado. O blog é meu, o espaço é meu, etc etc etc. Me deixa.