terça-feira, julho 14, 2009

Blé

Hoje fui buscar Alê na escola, como praticamente todos os dias, e ele - como todos os dias - chegou ao portão de mãos dadas com uma das professoras, todo risonho, cantante, falante, sacolejante. E eu perguntei:

- O que você está cantando, filho?

Ele voltou a falar em seu Alexandrês avançado. Entendi lhufas. E ele lá, balançando e cantando. E a professora:

- Ah, eles estavam vendo Xuxa enquanto esperavam pra ir embora.

E Alê inclui em seu discurso um "Sússa". E eu nada "sussa", muito decepcionada e revoltada:

- Mas putz, Xuxa? É trash demais!! Que horror, eu achando que ele nunca tinha visto...
- Iiiih, mas é assim mesmo. Eles acabam vendo. Quando minha filha nasceu eu também detestava, agora ela vê direto. E o meu mais velho? Eu detestava Chaves [é, eu também não gosto, mas D.C. adora e pretende iniciar Alê nos mistérios da graça duvidosa de El Chavo del Ocho] mas ele acabou vendo...
- Mas Xuxa?! [virando pro Alê, no colo, falo:] Veja na escola, mocinho, porque na minha casa Xuxa não entra não...
- Ah, você acostuma.

Então vamos resumir, tá? Eu e D.C. concordamos no ponto de considerarmos Xuxa uma droga, mesmo que seja cantando a música do sapo que não lava o pé, inofensiva. Mas a questão é o que ela representa, o fato de ser ícone de sexualização, futilização e consumismo infantis (tá, vocês vão dizer que, por outro lado, há toda uma linha de produtos dos Backyardigans, outra do Cocoricó - inclusive creme dental sem flúor, comprei outro dia mesmo pra mandar pra escolinha. Mas o pioneirismo da Loira é inconteste e uma coisa é vender boneco, DVD, pasta de dente. Outra é reforçar estereótipos, papéis sexuais e padrões de beleza e consumo perante crianças). Outro ponto importante é a variedade de opções disponíveis pra distrair menino em frente de televisão na hora da saída da escola (sim, é só na saída mesmo). Temos uma pilha considerável de DVDs em casa, nenhum apelando pra esse tipo de atração. Ontem mesmo chegaram dois, um da Vila Sésamo e outro mini-DVD da Peppa Pig. Alê adorou os dois.

A gente teve cuidado em escolher a escola, procurou com calma, visitou, perguntou, escafunchou. Mas agora me vem essa e eu fiquei chateada de fato, porque posso parecer meio biruta mas sou bastante cricri com esse tipo de coisa. Estou matutando a respeito, pensando no que faço, agora que fui pega de calça curta pela situação.

6 comentários:

Anunciação disse...

Só pensando mesmo,bastante.Tomara que vc ache uma solução,pois estou torcendo.

Anônimo disse...

O negócio é vacinar o Alê, pq em todo lugar vc vai encontrar xuxa, heloo kitty, ben 10, noranguinhos, etc. Pese as prioridades. Se ele não vê em casa, a exposição vai ser bem insignificante. Ou vc não confia na educação q está dando pro seu menininho?
zzzzzzzzzz

Anônimo disse...

e o pior Deh, tem maes que gostam da loira em questao, ai eh o fim, mesmo. Ainda bem, que os meus nao curtem xuxa. Mas curtem dragon ball, faixparti.
madoka

batatatransgenica disse...

deh, agora que meu sobrinho de 2 anos fica em casa de 4 a 6 horas por dia, entendo o que quer dizer. logo no começo a mãe dele disse que ele fica quietinho qdo vê a xuxa, mas em casa não, violão. brinco com ele até cair, no máximo coloco no canal speed pra ele ver "carrinho!", mas xuxa é abuso de queimação de neurônio :oD

Suzana Elvas disse...

Fofa, vai lá e reclama. Não tema em se passar por chata, never. A escola das meninas também é toooda cheia de trinques e retrinques com relação à programação audiovisual dos petizes, o que não impediu de as meninas voltarem pra casa dançando bonde do rolê e o que mais vai rolar no apê.

Prontamente, no dia seguinte fui à escola perguntar que história era aquela - e descobriu-se que agentes educacionais (???) tinham ensinado isso à miniturba.

Mas foi na lata o "Como assim?!?!?". E nunca mais se ouviu falar de Latino & assemelhados.

Suzana Elvas disse...

"Mãe, você gosta da Xuxa?"
"Não. A Xuxa é 'xata'"

E assim ficou. Para as meninas, a Xuxa é xata. E não se fala mais disso.