* Pois então a Semana à Capella chega com um leve atraso, que pode ser explicado: quando eu planejava escrever acabei aproveitando para fazer tarefas de um curso online. Mais tarde adiantei o almoço que seria servido hoje, já que a manhã seria curta (isso explico depois). E então comecei a passar roupa, abri uma cerveja, abri uma segunda cerveja (a última da geladeira), então vi que tinha um vinho aberto na geladeira. E então, claro, parei de passar roupa.
* Pois então, o que acontece é que enquanto a greve durar eu entro mais cedo e saio mais cedo também. O que é ruim, porque a manhã fica bem curta, mas é bom também porque eu saio cedo, não preciso ter medo de perder o último ônibus - aliás, hoje ganhei carona porque o Alê estava acordado e pôde sair com o pai pra me buscar. E ele ficou felicíssimo ao me ver e etecétera. Lado bom, lado ruim, sempre é assim.
* Meu problema com a Copa do Mundo, fora o fato de eu não dar bola pra futebol (opa, sacaram, sacaram? Bola, futebol. Hm, deixa pra lá), é a quantidade de informação não solicitada (isso mesmo, spam) que sou obrigada a receber. Especificações sobre bola oficial, informações sobre estádios, lesões, equipes técnicas e quetais. Estou fazendo contagem regressiva pro final. Sério.
* Enrolei Entre os muros da escola na mesa da sala por uns dez dias e assisti no sábado. Gostei tanto, mas tanto que vou escrever uma resenhazinha nesta semana. Aguardem.
* Muito frio na Cidade Sem Limites. Hoje saí de casa com jeans e uma sapatilha sem meias. Quase morri de frio nos pés. Preciso de um sapato fechado que não seja tênis. Quero uma bota. Tem graça isso não, sô. Quando é que volta a esquentar?
* Decidi descontinuar as visitas à manicure mais próxima (e minha primeira incursão ao incrível mundo do esmalte escuro foi um sucesso, como você pode conferir aqui. Limpei todos os rastros de esmalte em volta das unhas recitando o mantra que Alexandre ouve muito em casa: tem que ter paaaaciiiiêêência). Na última vez que fui até lá ela perguntou onde menininho "estudava". Falei. Ela disse que era o sonho de consumo dela colocar a neta lá, mas que o dinheiro não ia dar. E depois comentou que a filha ia voltar a trabalhar e que ela não poderia dar conta do salão e da criança, então estava trazendo uma menina lá do Nordeste pra olhar a netinha. Aí pensei que pela lógica da coisa a pessoa estava planejando pagar à mocinha por mês menos do que custaria a escola. Lembrando que a mocinha passará tempo integral à disposição da "empregadora". Isso tinha um nome antigamente, né? Qual era mesmo?
* Eu quero crer que meu filho vai crescer num mundo onde mulheres não vão ser mais tratadas por diminutivos ("Fernandinha", "Paulinha", "a fofurinha", e por aí vai). Esse tipo de coisa me cansa de um tanto que não consigo nem quantificar.
* Mulher bonita e delicada que a gente quer elogiar é com diminutivo; mulher que queremos desqualificar é com aumentativo; gordo é sempre simpático; pessoa de óculos é sempre inteligente; deficiente é sempre "esforçado", se não for "coitado" mesmo. Cansa. Cansa. Cansa. Pais e mães, não é fácil, mas juntos chegaremos lá. Vamos ajudar nossos filhos a livrar a cabeça, a língua e as atitudes desse tipo de pensamento ridículo. Pessoas não vivem em gavetinhas, vamos parar de classificá-las, de bater carimbos.
* Falando em filhos, esta é a última semana do Alê no mundo das criancinhas de dois anos. Domingo serão três aninhos completos. Já. Foi ontem mesmo que ele nasceu e etc etc etc. E a festa de casa será verde e amarela. Nhé.
* É claro que Julie&Julia é um filme absolutamente adorável e que o livro é agradável (devo terminar nesta semana ou semana que vem, lendo nos intervalos do trabalho). Mas o esforço hollywoodiano em polir e afofar personagens (em especial Julie, que nas páginas é desorganizada, destemperada, meio porca, bobagenta) não só salta aos olhos: também corre aos berros pelo cômodo onde estou lendo. Não estou achando ruim o livro, veja bem. Mas estou levemente incomodada com isso. E com o que acho que são descuidos na edição da obra.
* Quer contratar um bom professor pra escola? Quer saber se os professores do seu filho são bons? Quer que eles tenham condições de encantar os alunos com o conhecimento? Além de saber sobre as qualificações, de observar se eles se relacionam bem com as pessoas, se sabem se expressar, por favor, descubra se eles são bons leitores e se gostam de aprender, se gostam de pesquisar, se têm uma relação de amor com o conhecimento. Se forem bons leitores, melhor ainda. Serão melhores as chances de conseguirem transmitir gosto pelo conhecimento, pela pesquisa, pelo questionamento.
* Quer um bom bibliotecário na escola ou quer saber se o profissional que está lá é bom? Pergunte se ele conhece o processo todo de estruturação e manutenção da biblioteca, desde a aquisição até o registro, a catalogação, a organização, até o empréstimo, mas observe também se ele sabe divulgar bem o que ela oferece, se ele cria um ambiente atrativo para a leitura, se ele é mais capaz de atrair ou repelir os usuários do espaço, se ele tem interesse em trabalhar com os professores e se ele se interessa por Educação. Porque, creia-me, há os que não se interessam e mesmo não gostam. Mas pergunte sobre seus hábitos de leitura. Pergunte sobre o conhecimento dele a respeito das obras e autores que compõem o acervo. Saber recitar código de catalogação não significa nada. Códigos e normas podem ser consultados e eficiência sem paixão, numa biblioteca escolar, não significa nada. Na minha modesta opinião.
* Quer que seu filho leia? Com gosto? Leia você também com gosto. Há muitos gêneros, temas, autores. Não é possível que você não vá encontrar algo que te encante. Há casos de pessoas que se tornaram leitoras em ambientes sem leitores? Sim, e há casos de famílias de leitores onde há pessoas que não gostam de ler, porque trata-se de temperamentos, de histórias de vida e contexto diferentes. De novo o papo das "chances" que já apareceu umas linhas ali pra cima. Leitura não é hábito - lavar louça é hábito, acordar cedo pra trabalhar é hábito, uso de cinto de segurança é hábito. Leitura é entrega, é prazer. Transmita esse prazer às crianças com quem você tem contato, divida esses momentos com elas, dê a elas a oportunidade de dividir com você as impressões delas.
* Nada não, só um desabafinho, que esqueci de escrever aqui semana passada.
* Boa semana - à capella, musicada, silenciosa - a todos!
3 cutucadas:
Obrigada,da mesma forma.E acredite,tenho admiração por essa organização em escrever sobre o que pensa,que você tem.
Oi Deh,
Onde é que eu assino? Também sempre achei que o gosto pela leitura começa em casa, com o exemplo das pessoas próximas. Ver a família lendo, ter acesso aos livros, perceber que aquilo é gostoso, são bons passos para formar um leitor. Leitura tem que ser prazerosa, já basta o que temos de ler por obrigação.
Também não estou empolgada com a Copa, vamos ver se com o Brasil jogando eu me animo.
Beijos, e boa semana!
Você reclama dos diminutivos porque Debinha e Deborinha são inviáveis. Puro despeito, rá rá. Beijinho.
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