Domingo, Outubro 03, 2010

Upgrade na tristeza de domingo

Esse nunca foi um blog muito de política (nah, mentira, não existe posicionamento sem viés ou ponto de vista, vamos admitir), hoje fica sendo, ficamos combinados assim - e se você não gostar clica ali no quadradinho vermelhinho no canto superior direito, sem mágoas, tá?

O que me deixa de olhos marejados não é a perspectiva de segundo turno numa eleição que parecia ganha de cara, ainda mais quando o principal concorrente da candidata melhor votada conta com uma campanha feita por marqueteiros de 1,99 (que, por outro lado, tinham "material" difícil de trabalhar, isso precisa ser dito). O que me botou um bolo na garganta é ver no meu Estado a continuidade de 16 anos de governo de um partido que, em todos seus representantes no cargo de governador, se esmerou na desconstrução da Segurança Pública, da Saúde e da Educação, o que me é mais caro e doloroso afirmar.

Alguém explica pra mim, por favor, que a conta não fecha: como é que a população pobre do meu Estado consegue votar pela continuidade de um governo que já provou que prefere soltar no mercado de trabalho jovens que não conseguem preencher um formulário ao fim do Ensino Médio? Como é que o cidadão pode avalizar o fato de que seus filhos vão frequentar escolas com a "casca" bonitinha (tem dinheiro pra comprar tinta? Tem sim. Mas e a manutenção, presta? Tem mapa pra usar nas aulas? Tem sim, mas eles se desfazem quando você os desenrola - eu passei por isso. Tem bola pra aula de Educação Física? Tem, mas é porcaria e dura nada) mas não vão aprender? Será que essa gente não se importa mesmo em saber que seu filho ficou sem aula porque o professor está de saco cheio ou doente ou porque simplesmente não há gente disponível porque o nível dos candidatos à docência tende a diminuir a ponto do bom profissional nem se inscrever nos concursos ou do sujeito com má formação se inscrever e não passar? É isso mesmo, vamos comprar os números, a análise quantitativa rasa, e ignorar a qualitativa que, oras, até a Folha (que tem muuitas razões pra alisar o governo, depois da venda de milhares de assinaturas destinadas às escolas, sem licitação) já gritou?

O que faz a cabeça dos paulistas? A mochilinha com os cadernos, a régua, os lápis? A escola aberta no final de semana? A merenda? A possibilidade de manter o filho fora da rua ou de casa por um ou dois períodos, com merenda à disposição? O certificado sem-vergonha que diz que o aluno possui conhecimentos "satisfatórios" para o nível cursado?

Falo da Educação porque foi minha área de atuação e pesquisa e porque sempre vai ser minha área de interesse. Podia falar sobre a gestão das universidades públicas paulistas, mas seria algo baseado na minha pouca experiência, como funcionária recém-contratada. Até agora posso só estranhar a incoerência que enxergo em gente que reclama do gestor da instituição mas não associa sua presença no cargo à predominância do partido hegemônico no Estado.

Permanecem as escolas levadas na base da "parceria"; voltam os apelos ao "voluntariado"; continuam as bibliotecas escolares ingeridas, verdadeiros depósitos de gente desqualificada, cansada, doente, e de livros; continua a política de péssima remuneração e mantêm-se as diretrizes de capacitação dos professores; fica mantida a cretina e ineficiente progressão continuada, verdadeiro tiro saído pela culatra, e pergunto-me também se voltará à baila a abordagem do "afeto" e da "educação em oração", agora que o antigo Secretário da Educação do governador eleito conseguiu passe para a Câmara dos Deputados.

A conta pra mim não fecha. Não posso entender como a população paulista pode continuar comprando esse tipo de política educacional de muita aparência e pouca substância. Estou inconsolável.*

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* Deixe seu manifesto PSDBbista nos comentários à vontade, será ignorado. O blog é meu, o espaço é meu, etc etc etc. Me deixa.

2 cutucadas:

Anunciação disse...

Vixe Maria,no começo pensei que vc tava falando do Maranhão,cara!Depois me lembrei que não.Que aqui estamos involuindo.Enquanto o povo do interior começou a despertar(a roseonça levou uma pisa de 72% em Imperatriz)a ilha ex-rebelde fui comprada por qualquer 20 reais e até médica entrou na dança.Tem mais é que falar mesmo,o espaço é seu e pode até deletar comentário que não gostar.Não é pra tá mal humorada?

Ândi disse...

O problema dos paulistas é a impáfia. E o problema num estado de ricos sem educação é que os que fazem essa opção não sofrem consequências imediatas. Sobra pro lado mais fraco. E falta inteligência depois pra associar essas escolhas deles com a violência, o congestionamento, os alagamentos...